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ONG do Paraná lança projeto em defesa da sogra
05/03/11 
Instituição quer saber por que ela é uma figura tão controversa e, com o resultado, fará campanha para mudar essa imagem

“Morar com a sogra é fazer vestibular para o céu”. “Sogra boa é aquela que já morreu”. “Deus fez a mãe, mas o diabo criou a sogra”. A sogra é uma das figuras femininas que mais sofre com piadas, ironias e xingamentos. As brincadeiras, aparentemente triviais, estão na mira de um novo projeto desenvolvido por uma organização não-governamental do Paraná, a Associação Difusora de Treinamentos e Projetos Pedagógicos (Aditepp), instituição com 40 anos de atuação em defesa dos direitos da mulher e de geração de renda no Estado. Até uma lista de 10 mandamentos para a sogra está sendo pensada.

“É comum você ouvir coisas do tipo: ‘me dou bem com a minha sogra, desde que ela não dê palpite‘. Se ela ficar muda, no canto dela, está ótimo. Queremos mudar isso e construir novas representações para a sogra, que sofre por ser mulher e idosa”, aponta a coordenadora do projeto, Cristina Simião.

Aspectos mais “sérios” estão por trás de toda essa carga irônica, ressalta Cristina. “Usam a casa da sogra, a aposentadoria da sogra e inclusive a incumbem de ser praticamente uma babás para os netos, desde que ela não interfira na educação dos pequenos, como se fosse obrigação dela fazer essas coisas”, afirma.

A campanha em favor das sogras abre uma nova frente para a Aditepp, que atuou muito tempo no incentivo à alfabetização no Paraná, inclusive criando programas para o ingresso de jovens de baixa renda no ensino superior.

As sogras

O projeto começou com uma pesquisas sobre por que a sogra é uma figura tão controversa. Geralmente, a violência contra a sogra não é física, mas moral. “A cultura ocidental coloca a figura da sogra no lixo. Ou então a explora. Em outras culturas, acontece o posto, o que também é um exagero, como na Índia, onde todos devem se submeter à sogra. Nem oito nem oitenta”, argumenta Cristina.

Depois, a ONG discutiu com um grupo de sogras o seu cotidiano, em encontros que começaram a ser feitos em janeiro. “A maioria sofre em silêncio. A sogra já está tão estigmatizada que muitas mulheres têm medo de reclamar e atrapalhar o casamento da filha ou do filho. E fica quieta, mesmo quando é explorada”, conta Cristina, com base nas conversas iniciais com algumas mulheres sobre o assunto. “A mentalidade é a mesma em países desenvolvidos, cujos relatos de jovens apontam que eles vêem a sogra como um peso insuportável”, diz a coordenadora do projeto. “Vai levar décadas para se conseguir mudar esse imaginário. Mas uma hora tem que começar”, completa.

A sogra sofre tanto com um filho homem quanto com a filha mulher. “O genro quer mostrar que quem manda é ele. Já a nora, se for insegura, não distingue muitas vezes a figura de mulher, esposa, e a figura da mãe, e encara a sogra como uma concorrente no controle sobre o marido”, compara Cristina.

Até dezembro, serão feitos seminários e reuniões com sogras e homens que convivem com elas. Para o ano que vem, com base nos resultados da pesquisa, a ONG produzirá um relatório e, depois, uma campanha. Por enquanto, a coordenadora do projeto considera ser prematuro pensar em um projeto de lei sobre o tema.

 

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