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Entrevistas com autoridades e personalidades ligadas à área de defesa da mulher contra a violência doméstica
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Em entrevista exclusiva, casal McCann revela sentimento de culpa com desaparecimento de Madeleine
25/05/11 
Por: Juliana Lorio
Fonte: UOL Noticias

  McCann Family/AP

Ao ser colocada na cama para dormir, a menina Madeleine, então com três anos de idade, teria dito: "Mamãe, tive o melhor dia de todos. Estou me divertindo muito".

Vazamentos dos arquivos policiais citados pela BBC indicam que Kate e Gerry chegaram às 20h35 no restaurante, onde se reuniram com um grupo de amigos, entre os quais Matthew Oldfield, Russell O‘Brien, David Payne e Fiona Payne. Também estavam presentes a mulher de Matthew, Rachael Oldfield; a namorada de Russell, Jane Tanner; e a mãe de Fiona, Diane Webster.

Às 21h05, Gerry foi conferir se estava tudo bem com as crianças. Dez minutos depois, Jane Tanner levantou para ver seus filhos e relatou ter visto um homem carregando uma criança próximo ao apartamento dos McCann.

Às 22h, Kate saiu para observar as crianças. As sandálias de Madeleine estavam na frente da cama, e o bicho de pelúcia dela estava ao lado do travesseiro. Os gêmeos dormiam. Mas a janela estava aberta, e Madeleine não estava na cama. Poucos minutos depois, Gerry viu sua mulher saindo do apartamento aos gritos.

Dez minutos depois, eles chamaram a polícia, que demorou outros dez minutos para chegar no local. Em meia hora, as investigações estavam em andamento. Desde então, uma operação internacional de busca foi instalada para buscar a garota, cujo paradeiro até hoje é desconhecido.

Robert Murat

O primeiro suspeito formal do caso foi o britânico Robert Murat, que morava com a mãe em uma casa na região. Apesar de sua declaração de que esteve em casa no dia do desaparecimento, Murat foi declarado suspeito, interrogado mais de uma vez e teve sua casa revirada pela polícia.

Sem evidências que apontassem para o suposto crime, ele deixou de ser considerado suspeito com o arquivamento do caso e ganhou quase um milhão de dólares em indenizações após processar diversos veículos de imprensa do Reino Unido por difamação.

  • EFE

    (24/10/2007) Os britânicos Gerry e Kate McCann concedem entrevista a uma televisão espanhola, após terem sido classificados como suspeitos no caso do desaparecimento de Madeleine McCann

Casal McCann

Os pais também foram investigados como suspeitos de envolvimento na morte da menina e chegaram a ser interrogados nessa condição, até o arquivamento do processo, em 2008.

Um dos principais defensores desta tese é Gonçalo Amaral, que coordenou a primeira parte das investigações relativas ao caso, mas acabou afastado do processo após declarações polêmicas.

Mesmo assim, Amaral apresenta sua tese no livro "Maddie, a Verdade da Mentira", no qual argumenta que os pais de Madeleine tiveram envolvimento na morte acidental da menina e na posterior ocultação do cadáver.

Os pais de Madeleine alegam inocência e acusam o policial de ter prejudicado as investigações.

"Ciganos"

Uma das hipóteses levantadas pela imprensa britânica no caso sustenta que supostos "ciganos" teriam sido vistos com a menina em uma van branca, um dia depois do desaparecimento, cerca de 250 km do balneário onde ela estava.

Esses "ciganos" não especificados foram citados por uma testemunha anos depois do desaparecimento e nunca contaram como suspeitos na investigação portuguesa.

"Pessoas não identificadas"

O próprio casal McCann divulga no site "Find Madeleine" retratos de pessoas "não identificadas" que supostamente teriam sido vistas com "comportamento suspeito" na época e na região em que Madeleine desapareceu. O site afirma ainda que é de interesse da investigação entrar em contato com estas pessoas.

 

 

 

 

 

 

2007

28 de abril: Os casal britânico Gerald Patrick McCann e Kate Marie Healy, ambos médicos, chegam a Portugal para uma temporada de férias com os três filhos: Madeleine, Sean e Amelie.

  • AFP Madeleine McCann (à dir.) posa para foto ao lado do pai, Gerry McCann, e da irmã Amelie, no Ocean Club Resort, em Portugal, no dia em que desapareceu

3 de maio: Madeleine, de três anos de idade, desaparece do quarto onde dormia junto com os irmãos em um apartamento do complexo turístico "Ocean Club", na Praia da Luz. Os pais jantavam com um grupo de amigos em um restaurante a cerca de 50 metros do apartamento naquela noite.

5 de maio: O diretor da Polícia Judiciária (instituição semelhante à Polícia Federal brasileira) de Faro, Guilhermino Encarnação, afirma que as investigações analisam a hipótese de sequestro.

14 de maio: O britânico Robert Murat é ouvido durante 14 horas no Departamento de Investigação Criminal (DIC) da PJ em Portimão e se torna o primeiro suspeito no caso. Sua casa também foi investigada.

31 de julho: A PJ, membros da Polícia britânica e dois cães, treinados para detectar sangue e cheiro de cadáver, inspecionam o apartamento de onde a menina desapareceu.

11 de agosto: A PJ admite que Madeleine poderia estar morta.

6 de setembro: Kate McCann é ouvida na PJ de Portimão durante 11 horas.

7 de setembro: O casal McCann volta a ser ouvido no DIC de Portimão. O advogado dos McCann, Carlos Pinto de Abreu, anuncia que Kate e Gerry McCann são considerados suspeitos.

9 de setembro: Kate e Gerry McCann retornam à Inglaterra e alegam inocência.

2 de outubro: O responsável pelo caso e coordenador da PJ de Portimão, Gonçalo Amaral, critica a polícia britânica, por "andar a fazer o que o casal [McCann] queria". Em seguida, é demitido da função e afastado do processo.

8 de outubro: Paulo Rebelo, com carreira no combate à droga e na Diretoria de Lisboa da PJ, é anunciado como substituto de Gonçalo Amaral à frente da investigação sobre o desaparecimento de Madeleine McCann.

2008

11 de janeiro: O Ministério Público pede a ampliação do prazo do segredo de Justiça do processo por mais três meses.

19 de março: A PJ devolve os bens apreendidos ao primeiro suspeito, Robert Murat.

13 de abril: Robert Murat inicia processo contra vários veículos de imprensa britânicos por difamação.

24 de abril: O ex-coordenador da PJ de Portimão, Gonçalo Amaral, solicita a pré-aposentadoria após 38 anos de serviço, para "recuperar a liberdade de expressão".

16 de julho: O Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, anuncia que vai apresentar "uma solução" para o "caso Maddie" no dia 21 de julho.

  • McCann Family/AP

    Jornal britânico pede desculpa pelas calúnias proferidas contra o casal McCann

17 de julho: O primeiro suspeito do caso "Maddie", Rober Murat, ganha processo contra imprensa; Justiça ordena pagamento de indenização de quase um milhão de dólares por parte de jornais britânicos que reconheceram ter publicado sobre ele notícias difamatórias e falsas.

21 de julho: A Procuradoria-Geral da República de Portugal anuncia decisão do Ministério Público de arquivar o inquérito do desaparecimento de Madeleine e retirar a condição de suspeitos do casal McCann e de Robert Murat, até que surjam "novos elementos de prova".

2009

9 de setembro: Justiça ordena suspensão cautelar do livro "Maddie, a Verdade da Mentira", escrito pelo ex-responsável pelo caso, Gonçalo Amaral.

2010

18 de janeiro: Justiça portuguesa aceita pedido dos pais de Madeleine e mantém proibição à venda do livro "Maddie, a Verdade da Mentira".

28 de abril: Em uma entrevista a uma TV britânica às vésperas do terceiro aniversário do desaparecimento, Kate e Gerry McCann disseram querer que o governo do Reino Unido revise o caso todo, pois os arquivos referentes ao desaparecimento de Madeleine não estão reunidos em um único lugar e - na avaliação deles - isso estaria impedindo uma análise detalhada de todas as informações.

Após três anos, casal McCann lança vídeo e diz que busca por Madeleine continua

3 de maio: Gerry e Kate McCann divulgam um vídeo, na data em que o desaparecimento completa três anos, para lembrar que as buscas de Madeleine continuam e pedem que as pessoas enviem informações pelo site www.findmadeleine.com.

25 de maio: Carlos Moreira, 65, afirma aos investigadores que viu a garota vestindo pijamas, em um carro branco, um dia depois do seu desaparecimento, com um homem e uma mulher que aparentavam ser ciganos.

2011

8 de maio: Quatro anos após o desaparecimento de Madeleine McCann, sua mãe, Kate, publica um livro no qual relata o "pesadelo sem fim" e "as visões horríveis" que tem sofre o possível paradeiro da filha.

12 de maio: O casal McCann enviam carta ao primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, pedindo uma revisão "independente e transparente" do caso, ainda sem solução.

18 de maio: A Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard) anuncia que destacará 30 detetives e milhões de libras para investigar novamente o caso de Madeleine, após pedido dos pais ao premiê britânico. A tarefa incluirá uma revisão de todos os arquivos cedidos pela polícia portuguesa. O comissário Paul Stephenson afirma que a menina pode estar viva.

*Com informações de agências internacionais

 
 

Quatro anos após o desaparecimento de Madeleine McCann, vista pela última vez em uma praia do sul de Portugal, os pais da menina revelam que ainda têm esperança de encontrá-la viva, rebatem as críticas sobre sua postura e admitem que em vários momentos se sentiram culpados por não estarem com a garota na noite em que ela sumiu.

"Qualquer pai se sente culpado quando algo de mal acontece aos seus filhos, nem que seja uma simples queda", afirmou Kate McCann em entrevista exclusiva ao UOL Notícias. "Nunca teríamos ido jantar num restaurante se soubéssemos que os nossos filhos não estariam em segurança. Mas a pessoa que a levou e que a tirou de nós é que é a culpada. E essa pessoa ainda anda por aí".

A conversa com a reportagem foi realizada em Portugal, na mesma semana em que o casal lançou no país o livro “Madeleine”, no qual apresenta "sua versão" sobre a noite em que a garota desapareceu e descreve o sofrimento durante as investigações.

A obra foi também foi lançada em Londres, no último dia 12 de maio, quase ao mesmo tempo em que a polícia britânica anunciou que vai mobilizar uma equipe para rever os arquivos do caso, devido a intervenção pessoal do primeiro-ministro, David Cameron, que atendeu aos pedidos da família McCann.

Madeleine desapareceu no dia 3 de maio de 2007 na Praia da Luz (Portugal) e, após 14 meses de investigações, o Ministério Público português arquivou o caso por falta de provas. Até hoje não se sabe o paradeiro da menina.

Numa entrevista exclusiva ao UOL Notícias, Kate e seu marido Gerry McCann agora contam a sua versão desta história.

 
 
 
 
 
 11 de maio de 2007 O jogador de futebol inglês David Beckham segura cartaz da campanha da menina desaparecida Madeleine McCann

UOL Notícias: Este livro pretende contar “a sua versão dos acontecimentos”. Qual é essa versão? O que aconteceu naquela noite e o que o livro revela?

Kate McCann: Eu penso que você tem razão, nós nunca contamos o nosso lado completo da história, e sempre quisemos que a verdade fosse conhecida e partilhada com o resto do mundo. Eu queria que a história ficasse escrita para os nossos filhos. Houve muita especulação e mentiras, e a razão principal para escrever e publicar esse livro é porque essencialmente precisamos angariar fundos para ajudar na procura da nossa filha. Eu penso que este livro será uma surpresa para o público em geral. Ao publicarmos esse livro e partilharmos essas informações, não só as pessoas poderão contribuir com a compra do livro, mas também com informações.

UOL Notícias: O que vocês acham que aconteceu com a Madeleine naquela noite?

Kate: Nós não sabemos. Só sabemos que ela foi levada. Não sabemos quem a levou ou para onde foi levada.

Gerry McCann: Eu acho que essa é uma pergunta importante, mas, para nós encontrarmos a Madeleine, primeiro precisamos saber quem a levou. Nós temos uma ideia da fisionomia do homem que a levou. Pessoas viram esse homem, de uma maneira suspeita, movimentando-se ao redor do apartamento onde estávamos. São essas pequenas “peças chaves” que poderão identificar o seu raptor.

UOL Notícias: Vocês ainda têm esperança de encontrarem a Madeleine?

Gerry e Kate: Sim, sim… É por isso que ainda continuamos a procura!

Gerry: Quando as crianças são raptadas muito novas, há mais chances de seus raptores ficarem com elas. Há menos chance delas terem sido mortas ou abusadas.

Kate: Provavelmente vocês já ouviram falar de caso como “Jaycee Lee Dugard” ou “Coline O´White”. Essas crianças foram levadas e “desapareceram do mapa”, e anos mais tarde foram encontradas em situações que nunca foram imaginadas. Por isso mantemos a esperança da Madeleine estar por aí… E por isso, eu e o Gerry, nunca podemos desistir!

UOL Notícias: E o que as investigações descobriram até agora?

Gerry: Nós não sabemos onde ela está e muitos aspectos não foram levados adiante desde 2007. Nós temos que identificar quem tinha comportamentos suspeitos naquela noite, ou seja, o homem que foi visto levando a criança para fora do apartamento, e que, conforme a Kate documenta no seu livro, nós pensamos que seja o mesmo homem que foi visto na vila antes do sequestro. Houve também um grupo, com outras testemunhas, que também nos deu uma descrição idêntica do homem do qual suspeitamos. Por isso, o mais importante é identificarmos essa pessoa.

Kate: É difícil… porque houve muito trabalho feito nesses últimos 4 anos e a nossa equipe também está na estrada nos últimos 3 anos. E toda a informação recolhida até agora pode ser muito útil. Agora, com todo trabalho que será revisto pela polícia metropolitana de Londres, isso poderá dar frutos. Mas conforme o Gerry disse, não sei se estamos perto ou longe… não sabemos qual será o próximo passo.

Gerry: Isto é muito importante porque muitas das crianças que foram encontradas muito tempo depois, os pais nem sequer imaginavam, um dia antes, que estavam tão perto de as encontrar. Por isso, conforme a Kate disse no livro, temos que estar sempre preparados para receber a Madeleine.

UOL Notícias: Há alguma novidade sobre o caso que vocês gostariam de revelar?

Gerry: Eu acho que a notícia mais importante é que o governo britânico ofereceu os serviços da Polícia Metropolitana de Londres para rever todas essas pistas. Esse foi um pedido que fizemos há dois anos. Ao fazermos isso, temos a certeza que nenhuma pista ficará esquecida.

UOL Notícias: Mas como vocês acham que a Polícia Metropolitana de Londres [a Scotland Yard] poderá contribuir para o caso?

Gerry: Porque estes especialistas estão habituados a lidar com casos muito complexos e a ver e rever pistas. Mas os detalhes de como a investigação vai correr temos que deixar para eles, porque eles é que são os especialistas. Não queremos interferir.

UOL Notícias: A polícia portuguesa ainda está investigando o caso?

Gerry: O caso foi fechado, e já está fechado, há dois anos e meio. Esta revisão do caso não significa que ele será aberto. Estou certo de que a Polícia Metropolitana de Londres irá rever aquilo que a polícia portuguesa investigou.

UOL Notícias: Há algum investigador particular ou detetive em Portugal que ainda  trabalha no caso?

Kate: Não há nenhuma investigação ativa em Portugal desde 2008. Se houvesse novas pistas, a polícia investigaria. Mas não há nenhuma busca. A única busca que há é a nossa.

Gerry: Nós não temos nenhuma equipe. A nossa equipe é formada por pessoas que venham nos dar qualquer tipo de informação que possa nos ajudar. Este processo de revisão feito pela polícia britânica pode demorar meses e nesse momento nós temos que esperar.

UOL Notícias: Como a polícia suspeitou de vocês, nós gostaríamos de saber o que vocês pensam sobre isto. O que vocês têm a dizer para aqueles que suspeitaram de vocês no caso do desaparecimento da sua filha?

Kate: A minha grande preocupação naquele tempo era que as autoridades deixariam de procurar a Madeleine. Por muito mal que fosse para nós, e foi devastador, nós não fomos acusados, mas éramos suspeitos de estarmos envolvidos, a nossa prioridade foi sempre encontrar a Madeleine. Acredito que, naquela época, nada de pior poderia nos acontecer do que ter perdido a nossa filha.

Gerry: Nós estivemos disponíveis para tudo o que a polícia necessitasse e ficamos aqui durante quatro meses para que tivéssemos a melhor investigação possível. Então começou a passar na imprensa que havia provas de que a Madeleine estava morta e que havia envolvimento da nossa parte -- o que não é verdade. O relatório do procurador foi muito, muito claro ao dizer que não houve evidências da morte da Madeleine e muito menos do nosso envolvimento! Nesse momento não queremos saber o que se passou… Só queremos continuar a procura de Madeleine.

Kate: Eu penso que se alguém tiver dúvidas sobre mim e o Gerry, por favor leia o livro e lembre-se de que a Madeleine é uma criança que precisa de toda a nossa ajuda para encontrá-la.

UOL Notícias: Então o que a imprensa não contou, ou contou de forma errada?

Gerry: Será que você tem fita suficiente para isso? [risos] Há, literalmente, centenas de coisas que foram contadas incorretamente. Algumas mentiras, algumas meias verdades e outras “manchas” para encobrir a verdade. Eu acho que no meio disto tudo nós vimos o melhor e o pior da imprensa. Eu acho que no início nos tivemos uma esperança de que a imprensa poderia encontrar a Madeleine - e ainda pode!

Kate: Eu não me arrependo daquilo que fizemos. Nós temos que envolver a imprensa. Falamos com os especialistas do Centro Nacional de Crianças Desaparecidas em Washington (Estados Unidos), que têm muita experiência, e eles disseram que tínhamos que envolver a imprensa  porque, se não, não conseguiríamos encontrar a nossa criança. Tínhamos que arranjar o maior número de pessoas para procurá-la e por isso nós não podíamos mudar isso. Mas a nossa família também podia ter ficado destruída com aquilo que passou a imprensa. É uma faca de dois gumes… Mas apelamos para a imprensa ter um pouco mais de responsabilidade e lembrar-se que estão lidando com pessoas de verdade, com vidas reais.

UOL Notícias: Em algum momento, ou de alguma forma, vocês se sentiram culpados pelo desaparecimento de Madeleine?

Kate: Em muitos, muitos momentos… Qualquer pai se sente culpado quando algo de mal acontece aos seus filhos, nem que seja uma simples queda… Mas é evidente que naquele momento nós não estávamos com ela e, por isso, naturalmente nos sentimos horríveis porque nem em um milhão de anos colocaríamos os nossos filhos em risco… Sabe… nunca teríamos ido jantar num restaurante se soubéssemos que os nossos filhos não estariam em segurança. Mas a pessoa que a levou e que a tirou de nós é que é a culpada. E essa pessoa ainda anda por aí… Eu sei o quanto eu amo a Madeleine e quanto ela nos ama, mas não posso mudar o que aconteceu naquela noite.

UOL Notícias: Qual a diferença entre a “Kate” de hoje, e a “Kate” antes do ocorrido? O que mudou?

Kate: Bem… Antes do 3 de maio de 2007 eu era completamente feliz, sentia-me com muita sorte por ter o Gerry e três crianças lindas. Estou muito melhor agora do que há quatro anos, estou muito mais forte… Mas a minha vida, a nossa vida, a vida das nossas crianças nunca estará completa até a Madeleine estar conosco. Através da mídia nós vimos o melhor e o pior da natureza humana. Vimos que há pessoas muito más, mas também vimos muita gente boa, que nos têm ajudado ao longo desse tempo… Mas haverá sempre uma tristeza submersa… É difícil encontrarmos paz, a completa paz…

Gerry: Falta um pedaço de nós que só ficará completo quando a Madeleine voltar. Mas estamos lentamente voltando aquilo que éramos.

UOL Notícias: Este livro será vendido no Brasil?

Garry: Soubemos que há uma oferta para o publicarmos no Brasil, mas ainda não sabemos em qual editora…

Kate: Eu espero que sim! Tivemos muito apoio vindo do Brasil, temos alguns amigos lá…

Garry: Há um grupo de oração que nos apoiou desde o início, com centenas de milhares de pessoas, e tenho um grande amigo com quem trabalhei em Amsterdã, cuja mulher é brasileira, e cujos pais estiveram envolvidos nisso.

Kate: Deixamos aqui um grande agradecimento ao Brasil!

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