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Entrevistas com autoridades e personalidades ligadas à área de defesa da mulher contra a violência doméstica
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Ana Isabel López fala sobre as lutas do Movimento Salvadorenho de Mulheres
06/10/11 
Por: Karol Assunção - Jornalista da Adital
Fonte: Universidade Livre Feminista

 

 Promoção e gestão do conhecimento sobre os direitos e deveres sociais, econômicos, políticos, ambientais e culturais das mulheres em El Salvador. Essa é a missão do Movimento Salvadorenho de Mulheres (MSM). Surgido em 1988, em plena guerra civil, o Movimento completa 23 anos com muitas conquistas, mas também com muitos desafios.

Em entrevista à ADITALAna Isabel López, diretora executiva do Movimento, analisa os avanços e as lutas que as mulheres salvadorenhas ainda têm pela frente, como a redução do feminicídio e de outras violências contra a mulher. Até julho deste ano, 349 mulheres foram assassinadas no país.

Outra demanda da feminista é em relação à voz política das mulheres, ainda pouco presente se pensado de acordo com a porcentagem de mulheres em El Salvador. "Embora tenhamos uma lei de Igualdade, o tema da paridade na participação política não foi aceito por todos os partidos de direita”, revela.


Adital - O Movimento se iniciou em 1988, época em que o país vivia uma guerra civil. Hoje, 23 anos depois, quais são as principais conquistas do Movimento?

Ana Isabel López - Uma das principais conquistas é que, apesar das dificuldades, a organização tem se fortalecido, tem presença em cinco departamentos e 15 municípios. A partir das comunidades e municípios onde originalmente surgimos, temos nos estendido a outros territórios, as mulheres tem adquirido um nível de conhecimento e pensamento crítico para o desenvolvimento da liderança, autonomia e reivindicação de seus direitos, em diferentes âmbitos.

Adital - O contexto social e político do país é outro. O que mudou para as mulheres salvadorenhas? Quais são os principais desafios enfrentados pelas feministas nos dias atuais?

Ana Isabel López - Sim, vivemos um novo momento, maior abertura ao diálogo, as mudanças para as mulheres são muito poucas, embora no começo tenhamos tido grandes expectativas e muitas nos envolvemos para ser partícipes dessas mudanças, fizemos propostas de mulheres comprometidas com a luta pela igualdade e a equidade de gênero, mas quando as mulheres que ocupam cargos públicos colocam a agenda feminista, são bloqueadas e desautorizadas pelo mesmo sistema patriarcal autoritário.

 

Com a aprovação das leis Especial Integral, para uma vida livre de violência para as mulheres, e a Lei de Igualdade, equidade e erradicação da discriminação contra as mulheres, um dos principais desafios é que esta seja conhecida por todas as mulheres, que a reivindiquem e exijam sua aplicação.

Adital - Apesar de ter demandas parecidas, as mulheres do campo e da cidade têm algumas especificidades. Como fazem para articular os diversos grupos de mulheres com suas diferentes demandas e visões de mundo?

Ana Isabel López - O MSM trabalha de maneira territorial, parte do pessoal convive nos municípios, trabalham de maneira conjunta com os comitês de mulheres e jovens, são referência dos processos em suas comunidades, ao mesmo tempo em que se articulam com a equipe técnica institucional. Cada município e comunidades têm suas próprias demandas, especialmente relacionadas com projetos produtivos, mas há ações que são comuns a todas, por exemplo, o tema de prevenção e atenção às violências social e de gênero, o tema da participação política e cidadã em nível local, o tema ambiental, os processos de capacitação, assim como todas aquelas atividades de mobilização e promoção para conseguir as mudanças que temos proposto.

Esta articulação não é fácil, requer muito pessoal, espaços de consulta, de intercâmbio de experiências e a necessidade de percorremos grandes distâncias e em estradas de difícil acesso.

Adital - O MSM tem como missão promover a gestão do conhecimento sobre os direitos e deveres sociais, econômicos, políticos, ambientais e culturais. De que maneira o Movimento atua para assegurar o respeito a estes direitos?

Ana Isabel López - No MSM, desde nosso surgimento, temos trabalhado em processos sistemáticos de formação do pensamento crítico acerca das desigualdades de gênero, direitos humanos, realidade nacional, não chegamos a uma comunidade só para executar um projeto, tratamos de criar esse tecido social organizado em um primeiro momento. Este processo é acompanhado de diversos módulos de capacitação sobre seus direitos, autoestima, saúde sexual e reprodutiva, direitos sexuais e direitos reprodutivos, prevenção da violência de gênero, participação política e cidadã, conhecimento básico administrativo para o manejo de seus projetos.

Nestes processos, as mulheres conhecem a rota de acesso à justiça para exigir o cumprimento ou reparação de direitos violados, tratamos de nos articular com as Instituições locais, nacionais, como a Municipalidade, os tribunais, a Polícia Nacional Civil, Unidades de Saúde, Centros Educativos etc.

O nível de analfabetismo das mulheres adultas é alto e o trabalho se torna mais difícil, ao passo que estas mulheres são mais vulneráveis à violação de seus direitos. Como MSM, trabalhamos muito com metodologias lúdico-participativas, reflexivas e desta maneira é mais fácil para elas reconhecer suas capacidades e direitos.

Adital - Um dos pontos também trabalhados pelo Movimento é a participação. Como se encontra a participação política das mulheres no país? Elas já conquistaram espaço e voz neste âmbito?

Ana Isabel López - Sim, as mulheres vêm escalando posições, muito poucas se pensarmos de acordo com a porcentagem de mulheres do país, 52,7%. Neste Governo temos menos mulheres no gabinete de Governo, embora reconheçamos que o partido no poder tem mais mulheres deputadas. De nossa parte, tratamos de promover mulheres nos Conselhos Municipais.

Embora tenhamos uma lei de Igualdade, o tema da paridade na participação política, que foi uma aposta na recém aprovada lei de igualdade, não foi aceito por todos os partidos da direita, e o ponto para conseguir mais mulheres na política depende dos partidos políticos, depende das eleições internas e as posições em que as mulheres sejam propostas, se são ganhadoras ou não; mas aqui esse ponto da igualdade na participação política é ainda um dos maiores desafios. Embora em alguns municípios nos quais trabalhamos algumas mulheres sejam conselheiras nos governos locais.

Este desafio de ser candidatas deve ir acompanhado de uma série de medidas que motivem as mulheres a participar: compartilhar ou diminuir seu trabalho doméstico e que haja respeito no tratamento às que se candidatam.

Adital - Dados de organizações sociais revelam que a violência contra a mulher e o feminicídio aumentaram nos últimos anos em El Salvador. De acordo com informações do Instituto Salvadorenho para o Desenvolvimento da Mulher (Isdemu), no ano passado, 552 mulheres foram assassinadas de forma violenta no país. Como é tratado o tema pelo Movimento? Que avaliação o MSM faz das políticas promovidas pelo governo nesta temática?

Ana Isabel López - Estatísticas da Polícia Nacional Civil indicam que 349 mulheres foram assassinadas no período entre janeiro e julho do presente ano. A maioria das vítimas tem de 18 a 35 anos.

O MSM impulsiona o tema da prevenção da violência de gênero, e de maneira transversal o fazemos também em todas as nossas ações e zonas de trabalho. As mulheres e juventudes conhecem as diferentes formas de violência, conhecem a normativa nacional e internacional relacionada com a violência, assim como a rota de acesso à justiça.

O Movimento Salvadorenho de Mulheres faz parte da Campanha de Prevenção à Violência de Gênero, uma rede de organizações que trabalham de maneira articulada em diferentes municípios do país, com o Apoio de Oxfam América, mas como compreenderão aqui se requer um esforço nacional articulado com a sociedade civil, pois nós não chegamos a todos os cantos do país.

Até o momento, não existe um política de investigação da violência de gênero que promova uma cultura de convivência pacífica, com relações de poder igualitárias. Na raiz do trabalho que a CPVG vem realizando e do movimento amplo feminista, se aprovou a Lei Especial Integral para uma vida livre de violência para as mulheres que entrará em vigência em janeiro de 2012, onde está tipificado o feminicídio, mas ainda não existem os mecanismos para sua aplicação. O Mecanismo da mulher tem como responsabilidade sua divulgação e a gestão do cumprimento na aplicação da Lei.

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