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Treze mulheres exemplares
07/03/12 
Por: Olga Borges Lustosa

 

Numa amanhã de outono, no ano de 2004, treze avós indígenas, vindas do Alaska, América do Norte, Central e Sul, África e Ásia, se reuniram em Nova York por 3 dias, com o objetivo lúdico de formar uma aliança global pelo bem da humanidade, para a abertura de uma nova era de compreensão para as questões básicas da saúde, uma era de amor e amizade entre os povos, um modo de viver mais natural. Formou-se o Conselho Internacional de Treze Avós Indígenas, que representam uma aliança global em torno da educação, oração e cura para a Terra e todos os seus habitantes até as próximas sete gerações vindouras.

Essas mulheres estão profundamente preocupadas com a destruição, sem precedentes, da natureza e a destruição do modo de vida dos indígenas. As avós realizam projetos que protegem as diversas culturas pelo mundo; medicamentos naturais, linguagem e cerimônias de oração e projetos que educam e alimentam crianças.

Essas treze avós estão em movimento permanente pelo mundo, marchando pela paz, pela preservação e sustentabilidade do modo indígena de viver, rezando pela restauração da paz em áreas de conflitos, compartilhando ensinamentos e profecias nas comunidades que visitam. Estiveram no Brasil, mais precisamente em Brasília, em outubro do ano passado. Elas são, em pessoas, a prece caminhando em nossa direção, com suas histórias inspiradoras de convivências tribais, inclusive guerras. O Conselho é a voz da sabedoria, uma voz só, única, melodiosa em espiritualidade, diversidade cultural, etinias; uma herança de igualdade, justiça e liberdade para todos.

Apesar dos desafios e dos sofrimentos e sacrifícios experimentados, as 13 avós indígenas demonstram coragem suficiente para acreditar que apenas a liberdade pode sustentar a democracia, que apenas a justiça cura e dá esperança e que igualdade de oportunidades para todos faz a paz prevalecer. O princípio que as mantém juntas é a fé. Elas acreditam que foram guiadas para estarem juntas e para desenvolverem o trabalho que fazem. Acreditam que seus caminhos estão conectados entre todas as formas de fé e cultura, mas que são todas alimentadas pela mesma chama: o conhecimento dos ancestrais.

Dentre as treze avós indígenas há duas brasileiras; Maria Alice Campos Freire, uma das mais velhas do grupo, presa política e exilada, que morou muitos anos na Europa e na África, onde encantou-se com as cerimônias de cura da alma. Anistiada, voltou ao Brasil e embrenhou-se na Floresta Amazônica, fundou o Centro Medicina da Floresta, que faz uso de plantas típicas da região para curar pessoas doentes. A comunidade é dedicada a trazer paz e felicidade para as pessoas, cuida de crianças e jovens, aos quais ensina preservar a floresta e de quem espera a continuidade do seu trabalho, através do conhecimento tradicional. Essa avó brasileira acredita que o sofrimento imposto pelo seu passado, tenha ajudado a abrir a sua espiritualidade.

A outra brasileira que compõe o Conselho das treze Avos Indígenas é Clara Shinobu Iura, psicóloga, filha de migrantes japoneses, formada em filosofia pela USP. Desde criança Clara queria ajudar os outros. Tinha visões frequentes com o planeta em agonia e deixou que as portas de sua percepção fossem abertas e conviveu com pessoas de diferentes crenças e práticas espirituais, até que juntou-se a avó Maria Alice Campos Freire, na floresta amazônica. Clara, a avó brasileira, crê que as palavras proferidas pelas treze avós são bem recebidas pelos homens que governam o planeta e isso fará despertar a criança que existe em cada um deles, iluminando a experiência espiritual de cada um, para que possam reverter o curso da história.

O Conselho Internacional das treze Avós Indígenas é composto por: Aama Bombo, do Nepal; Takelma Band, Beatrice and Margaret Behan, Rita Pitka, Rita Long, Estados Unidos; Bernadette, do Gabão; Clara Shinobu e Maria Alice, do Brasil; Flordemayo, da Nicarágua; Julieta Cassimiro, do México; Tsering Dolma, do Tibet; e Mona Polaca, que serve às Nações Unidas, em muitas missões.

Falar da mulher através da história dessas treze belas senhoras, que nos dias de hoje oferecem suas preces para iluminar nossa consciência, é falar de uma pequena semente que está sendo plantada no nosso planeta, por mulheres íntegras, que defendem princípios sagrados, que acreditam que foram chamadas para se unirem num momento crítico da história, em que os conhecimentos dos seus ancestrais são necessários para garantir a sobrevivência das próximas gerações.

Ao final de suas palestras pelo mundo, ao serem perguntadas o que são: bruxas, videntes, médiuns? Elas respondem: “ Somos mulheres sábias.”

Olga Borges Lustosa é cerimonialista pública e acadêmica de Ciências Sociais pela UFMT e escreve exclusivamente neste blog toda terça-feira - olga@terra.com.br

 

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