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Contra a violência, a denúncia
23/06/12 
Por: Camila de Ávila
Fonte: http://www.divirta-se.uai.com.br

Camila de Ávila
Reprodução internet
 

 
Segundo dados do Centro Feminista de Estudos e Assessoria a cada 15 segundos uma mulher é espancada por um homem no Brasil. Para tentar conter essa violência foi criada a Lei Maria da Penha que começou a vigorar em 22 de setembro de 2006. Mas o que faz um homem achar que tem o direito de violentar fisicamente, psicologicamente ou sexualmente uma mulher?

 
A psicanalista paulista Taty Ades, autora do livro Escrava de Eros (Ed Isis), explicou como funciona a cabeça do agressor e como a mulher deve agir: Nunca sendo submissa como as de Atenas.

 
A violência contra a mulher infelizmente é tema recorrente em filmes e novelas. Julia Roberts foi vítima de um marido possessivo e psicopata que tinha obseção por limpeza e organização no filme Dormindo com Inimigo. Os atores Helena Ranaldi e Dan Stulbach foram protagonistas de cenas violentíssimas da novela Mulheres Apaixonadas de Manoel Carlos. E a atriz Jennifer Lopez atuou brilhantemente na película Nunca Mais, em que sofre agressão física do marido, mas dá a volta por cima e se vinga do algoz.

 
De acordo com a Dra Taty Ades, o homem que comete atos de violência contra a mulher se sente dono dela. “Ele se sente dono da mulher que passa a ser sua propriedade, esses são extremamente egoístas e narcisistas, chegando até a ter personalidades antissociais (muitas vezes psicopatas)”, conta. O homem vê o direito de espancar a mulher como algo natural e até sádico, o agressor sente prazer no ato de bater e humilhar verbalmente, fisicamente e psicologicamente.

 
A crueldade é a razão para 90% dos casos de espancamento, segundo estudos da Dra Taty Ades. “Há alguns distúrbios de personalidade e impulsividade que podem fazer com que um homem bata numa mulher sem ser um psicopata (pessoa que despreza as obrigações sociais e é indiferente aos direitos, sentimentos e bem- estar dos outros), nesse caso ele é guiado por uma impulsividade que pode ser aumentada pelo uso de álcool e drogas”, explica. Porém, a diferença é que após a agressão existe o arrependimento e a culpa, o que não ocorre no psicopata que age por pura crueldade.

 
O que resta?

 
Reprodução internet
 

Infelizmente para a mulher muito mais do que cicatrizes e hematomas, as sequelas da violência são mais profundas na alma. A Dra Taty Ades afirma que são vários os traumas recorrentes após a violência. “As sequelas são terríveis, elas podem vivenciar estresse pós-traumático, síndrome do pânico, depressões e algumas até cometem suicídio”, afirma.


 
É de suma importância a busca de ajuda profissional para um trabalho de resgate da autoestima da vítima. “A memória do abuso estará presente, caso ela não busque ajuda profissional. Essas mulheres podem se tornar pessoas isoladas e eternamente amarguradas”. Além da mulher, os filhos sofrem muito com as agressões que podem acarretar problemas na fase adulta. A Dra Taty Ades ressalta que “os filhos podem crescer repetindo o padrão que viram em casa, ou seja, baterão em suas mulheres ou então podem se tornar adultos depressivos e dependentes do uso de álcool, sexo promiscuo e drogas como forma de compensação da dor vivenciada no passado”.

 
A vergonha por ter sofrido agressão é constante nas vítimas. Dra Taty Ades diz que este sentimento é muito comum, elas se sentem culpadas. “Esse sentimento é uma reação do organismo no qual a vítima se sente a culpada. É como se ela precisasse justificar o ato horrível que sofreu, a autoestima está tão abalada que ela se sente humilhada e responsável pela surra que acabou de levar, ela chega sentir-se enojada de si mesma mais do que do próprio agressor”.

 
A educação e o respeito às leis que defendem as mulheres e os seres humanos é, para a Dra Taty Ades, a melhor forma de combate aos casos de agressão contra as mulheres. Algumas manifestações que se definem como defensora dos diretos da mulher, como a Marcha das Vadias, por exemplo, se tornam negativas para este fim. “Acho que esses gestos feministas apenas exacerbam o mal, não é através dessas manifestações que iremos modificar o quadro de agressões, a modificação deve vir da escola, do lar, da sociedade, do governo, das leis e tudo isso requer educação e bom senso e não atrações histéricas e sem sentido algum”, afirma.

 
Reprodução internet
 

Taty Ades deixa uma mensagem para as mulheres:

“Saiba que você é vítima e não culpada, um tapa pode ser o primeiro passo para a sua morte, por isso caso isso ocorra, corte o relacionamento na hora.
Seja forte, melhor deixar um homem que te agride para trás e recuperar a sua dignidade de mulher, busque ajuda profissional e procure não cair nos jogos de sedução e de desculpas dos agressores, eles tendem a fazer isso para te manipular.
Você é capaz de superar isso, saiba que a sua força por mais escondida que esteja, existe e está em você para poder te ajudar! Diga para o homem que o superou olhando dentro de seus olhos.”

 

 
Camila de Ávila, produtora editorial, jornalista, bailarina (por formação e não atuação). Apaixonada pela arte, música e beleza! Deseja Paz e Bem para todos! Vale a pena seguir os tweets dela: @CamiladeAvila1
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