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SINTAP/MT ORGANIZA CHÁ DA TARDE COM PALESTRA ACERCA DO EMPODERAMENTO DA MULHER
10/03/17 - 15:00 
 

 Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a Presidente do SINTAP/MT (Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Agrícola, Agrário, Pecuário e Florestal do Estado de Mato Grosso), Diany Dias, organizou chá da tarde, realizado no dia 10 de março de 2017 às 15 horas, na Sede Social da ASSIN/MT, com palestras acerca do empoderamento feminino.

A Promotora de Justiça Lindinalva Rodrigues foi uma das convidadas e proferiu palestra com o tema: ‘Violação aos Direitos Humanos das Mulheres’. Inicialmente, Lindinalva faz um passeio pelo mundo, a fim de expor as violências praticadas contra as mulheres: na África onde as meninas, de 04 a 12 anos, tem seus clitólis extirpados; no oeste e leste da África e no sul da Ásia onde meninas são forçadas a se casar com homens até 50 anos mais velhos; na Índia, no Código de Manu, a mulher não tinha sequer o direito à vida, pois, quando seu esposo falecia ela deveria ser incinerada junto dele; na China, devido a política do filho único, as meninas eram “descartadas”, pois o casal dava preferência a ter filho homem. Toda essa violência a mulher era obrigada a suportar devido seu gênero, pelo simples fato de ser mulher.

Lindinalva também enfatizou as violências que as próprias mulheres praticam contra si a fim de “agradar” aos homens. Como as Gueixas (mulheres japonesas que se dedicam à arte de dança e canto, que vestem trajes tradicionais característicos) passam toda a sua vida “dentro” de sapatos minúsculos que lhes atrofiam os pés, pois pés pequenos agradam aos homens. Outro exemplo é das mulheres girafas, que usam até 10 kg de argolas no pescoço como sinal de beleza e status. A Promotora resaltou que as mulheres brasileiras não estão longe dessa realidade e citou como exemplo a aplicação de hidrogel, uma substância sintética, no glúteo para ficar com o bumbum avantajado e nas pernas – em alguns casos têm provocado necroses horríveis, dores insuportáveis, embolia e trombose.

Com relação violência de gênero no Brasil, Lindinalva resaltou que a cada 100 mulheres assassinadas, 70 são assassinadas no âm.bito de suas relações domésticas, bem como, esses crimes, hoje denominados feminicídios, são praticados com requinte de crueldade, isto porque, em regra, motivado por um sentimento de posse, o homem prefere violentar sua companheira, do que aceitar a ideia de não tê-la mais e não têm relação direta com uso de drogas ou bebidas alcoólicas.

Ressaltou que a violência não começa da forma mais grave, ou mais explícita, como uma agressão física, mas tem seu início com o controle, o parceiro começa a controlar as roupas, amizades e conversas da parceira.

A Promotora também evidenciou que o machismo é inserido desde a criação, pois as próprias mulheres, as mães, ensinam o filho a ser machista ao criar as meninas e os meninos de forma diferentes, concedendo privilégios aos meninos e restringindo as meninas.

A desunião entre as mulheres também é um favor que coopera para que a violência se perpetue, pois mesmo sendo 53% das eleitoras, as mulheres não elegem mulheres, as próprias mulheres não se unem para empoderar-se.

A violência contra a mulher no âmbito doméstico não fere só a mulher, mas toda a família. Uma criança que cresce em um ambiente no qual é “natural” sua mãe ser agredida pelo companheiro, poderá no futuro se tornar um agressor, ou quando se trata de menina, ao crescer e se tornar mulher é uma potencial vítima, pois aceitará com mais naturalidade ser agredida, tanto fisicamente quanto psicologicamente. O homem violento não mata a mulher, em regra, com arma de fogo, mas com o que tiver ao seu alcance, como facas, fio de telefone, banco ou até mesmo com as próprias mãos.

Lindinalva ressaltou o maior motivo que leva uma mulher a se manter em uma relação abusiva e violenta é o medo da solidão e que em decorrência desse medo de se ver só, acaba presa a um relacionamento abusivo, fazendo de tudo para salvar a relação e que: “As mulheres não querem viver sem homens, mas querem viver sem a violência.”

A ex-senadora Serys Marly Slhessarenko também palestrou e evidenciou que a participação da mulher na política é fundamental para o empoderamento feminino e que ninguém lutará pela mulher a não ser ela mesma.


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